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Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Quem vai ganhar a discussão?

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Escrito por Junior Perim Ter, 12 de Abril de 2011 14:53

Toda mudança de governo implica, invariavelmente, em mudança de política, em mudança de rumo, em novas "setas" que indicam os caminhos que a nova gestão nas diferentes esferas da administração pública pretende seguir quando os seus agentes políticos "sentam na cadeira". Começo estas linhas afirmando isso não como a minha interpretação do processo político, senão como um apontamento de uma verdade factual a cada alternância de governo.

Entendo como legítima esta vocação para mudança que, em regra, é componente de todo o projeto de alternância de governo e poder, mesmo aquele que supostamente se legitima e se viabiliza eleitoralmente com a bandeira da chamada continuidade, lembrando que, continuar não é repetir, mas avançar...

Dito isso, lanço-me no desafio de avaliar os debates dos quais se ocupam os principais movimentos e atores culturais do Brasil – os rumos das políticas culturais no governo da 'Presidenta' Dilma. As pautas e discussões tomaram nestes pouco mais de 100 dias de governo um viés quase passional e com ares de conflitos como de um casal adolescente de namorados. Cada vez que alguém do Ministério abre a boca, incluindo-se aí a Ministra de Estado Ana de Hollanda, "os contra" descem a lenha – postura típica de quem já não tem a menor intenção de dialogar. Por outro lado, "os a favor" saem no socorro da atual gestão tornando a possibilidade do diálogo ainda mais distante, já que, no geral, respondem as críticas sem apresentar com clareza as "setas" dos percursos que pretendem seguir nesta atual gestão.

Para piorar e enfiar mais caroço no angu estamos vendo agora a disputa das forças políticas pelo tamanho da assinatura na autoria das formulações, programas, projetos e atividades empreendidas no campo da cultura, nos dois mandatos do ex-Presidente Lula, durante as gestões dos ex-Ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira. Tal postura "vanguardista" vai afastar cada vez mais a multidão de agentes culturais que foram fundamentais na construção das políticas culturais no Brasil, ainda por se realizarem em sua plenitude, e que não estão nem um pouco dispostos a travar debates nas "cozinhas" do poder e nos "aparelhos" que resultam das práticas daqueles que ainda sofrem os efeitos colaterais do sectarismo, postura ultrapassada e descabida para os arranjos institucionais e políticos do atual estágio da democracia brasileira.

O grande legado dos governos do ex-Presidente Lula foi a construção de ambientes para o encontro das divergências e disputas conceituais sem, necessariamente, provocar nos agentes sociais e políticos da cultura aquele propósito e animação de "quem é que vai ganhar a discussão?" Portanto, já passou da hora dos dois lados, "os contra" e "os a favor", desistirem de tentar um do outro "ganhar a discussão", do contrário muitos atores sociais de cultura vão escolher ficar em cima do coqueiro e, como resultado disso, teremos duas "vanguardas" cujo principal impacto terá sido a desmobilização da multidão de fazedores culturais do Brasil.

Pra mim é isso "os a favor" deveriam abandonar a postura defensiva e serem agressivos na demonstração do seu projeto de cultura para o Brasil, e "os contra" deveriam 'decretar' um cessar fogo, porque com tanto tiro de um lado pro outro, a gente só ouve estampido e nenhuma voz.

JUNIOR PERIM, produtor e ativista cultural.

abril de 2011

 

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