1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>
Sábado, 18 de Agosto de 2018

A Criação do Palhaço e a Personagem Palhaço?

PDF Imprimir E-mail

Escrito por Marcos da Cruz Ter, 10 de Agosto de 2010 16:34

Sempre foi uma experiência memorável trabalhar com alguns atores de teatro em espetáculos de circo. Tive o imenso prazer de dirigir a Companhia do Circo de Paranavaí que com muito esforço e dedicação construímos o espetáculo "Bichos de São Sererê" baseado num poema de Plínio Marcos, relatos e revistas. Os atores que trabalharam na produção deste espetáculo de rua, eram atores que estavam iniciando sua carreira artística, estavam a menos de três anos e alguns trabalharam apenas com teatro de palco italiano, contamos também para esta montagem alguns curiosos da arte que estavam descobrindo o mundo do circo e as delícias dos saberes circenses.

A Companhia do circo de Paranavaí sempre será uma formadora de artistas e acolhedora de idéias; o espetáculo circense tinha a sua história narrada por dois palhaços, que costuravam as histórias e vivências de uma família tradicional de circo e um artista que "vive de passar o chapéu" para ganhar o sustento do dia e tínhamos como palco principal a rua.

Os atores ao começaram a entrar no universo do palhaço, apenas utilizavam os estereótipos do clown, como gestos e articulações que me lembravam Pierrot e Arlequim e colocavam vozes graves, finas recortando algumas personagens e montando a sua personagem como num laboratório que os artistas fazem para criarem. Quando os atores começaram a pesquisar a vida da personagem, para ganhar alguns atributos e preencher algumas lacunas, deram com a face num muro gelado e frio, essa era a minha intenção indiretamente de colocar eles em um abismo onde que para sair tivessem que cavar mais. E algumas partes das "entradas" (gag´s) estudadas não revelavam alguns segredos, como certas manias, vontades, ou seja, a personalidade que o palhaço necessitava de ter a sua marca pessoal e essas características que apenas conseguíamos descobrir ao longo de nossas vidas. Começaram a perceber a profundidade e a inocência de ter uma personagem chamada palhaço e em minha concepção ganharam um grande desafio, eu como diretor tentava direcionar os atores "empurrando-os cada vez mais para o buraco". Começaram então e entender que o palhaço era algo em construção, um nascer e um criar constante e não apenas como diziam: "uma personagem dentro de um texto dramático analisado e colocado no palco".

Sentiram a necessidade de um "ritual de nascimento" e criar essa personalidade e sua marca pessoal com o convívio de outras pessoas, até que decidi levá-los as praças, feiras para começarmos assim o nosso jogo do olhar e sentiram o peso que era carregar um nariz vermelho.

Os atores ficaram surpresos ao depararem com a quebra da quarta parede, que para alguns era um espanto, segundo eles o ator não tem uma relação direta com o público, seguindo assim alguns modelos de se praticar teatro. Os atores começaram a sentir que a quebra da quarta parede lhes consumiam cada vez mais e os amedrontavam, construir uma relação com o público um diálogo que seja universal e acessível estava cada vez mais complicado e diferente, como por exemplo, me questionaram:

"Se a platéia resolver participar do espetáculo como numa conversa ou levantar e sair no meio do teatro?"

Isso para o palhaço é um ganho. Comecei a rir e entenderam que o jogo já tinha começado.

Alguns atores pensaram em desistir da produção outros lançaram proposta de criarmos para o espetáculo algo que eles tivessem como segurar nas mãos e levar até o final, como eles deveriam agir do começo ao fim, por que o palhaço era um estereótipo de uma pessoa, algo natural que o humor era contido e que sua obrigação, não era apenas de fazer rir, mas também de chorar, emocionar. Apenas sorri para eles, e sentiram que eu não iria aderir as propostas lançadas.Não aderi as propostas colocadas pelos atores/circenses por que tínhamos a rua que iria ser o nosso palco onde a movimentação da vida e as transformações acontece a todo momento.

Então aos poucos começamos a jogar entravamos dentro de uma sala, e ali passávamos nossas manhãs e tardes de sábados inventando histórias e desvendando mistérios. Começaram a entender através de textos, oficinas e da fala do palhaço Chupetinha em uma entrevista:

" Em meu circo se eu tivesse 5 palhaços e todos fizessem o mesmo número eu ficaria com o primeiro e dispensava o resto,
nem no teatro eu vejo um personagem da mesma forma, que não é comunicativo com a platéia, vocês tem que colocar o seu outro Eu para fora.
"

Após essa entrevista ficaram com esse questionamento deste outro Eu, e como despertar esse outro, será o nosso ridículo? Será algo pessoal? Ou será a criação de uma personagem? Quem é o Palhaço?

Quero deixar claro que estou relatando uma vivência de um grupo de atores/circenses, sinto a necessidade de relatar a memória do circo; já que tiveram como ponto de partida essa metodologia, para estudar a arte do palhaço temos vários caminhos.

O espetáculo seguiu a sua trajetória de apresentações em ruas e cidades, os atores dentro da sua pesquisa entenderam o processo de criação, cada um buscou seguir o melhor caminho, criando uma personagem, inventando o próprio nariz, montando um espetáculo de teatro onde o palhaço não tinha uma continuidade era aquele perfil pronto e acabado, alguns indo para ruas, empresas e outros caminhando para hospitais, desenvolvendo o seu humor, sua forma de andar, falar, cantar, chorar, emocionar; deste trabalho surgiram dois palhaços que ainda estão na ativa a Palhaça NANINHA e o Palhaço LELÉCO que fomentam a pesquisa do clown e a curiosidade de alguns, agora como mestres.

"O palhaço é como uma criança que nasce e a vida apenas lhe retribui com um tapa e ele devolve um sorriso."
(Bichos de São Sererê)

 

Comentários   

 
0 #3 CirconteúdoGuest 10-08-2018 10:46
Hi. I see that you don't update your site too often. I know that writing posts
is boring and time consuming. But did you know that there is a tool
that allows you to create new posts using existing content
(from article directories or other pages from your niche)?
And it does it very well. The new articles are high quality and pass the copyscape test.
You should try miftolo's tools
Citar
 
 
0 #2 CirconteúdoGuest 27-04-2018 16:26
I have checked your page and i have found some duplicate content,
that's why you don't rank high in google's search results, but there is a tool that
can help you to create 100% unique content, search for; boorfe's tips unlimited
content
Citar
 
 
0 #1 CirconteúdoGuest 08-04-2017 23:50
Olá , só queria ⅾe avisar ԛue tem um pequeno problema ԁe ler no seᥙ site por meio ԁo celular
. Não ѕei se isso é só no meu aparelho, mɑs fica ⲟ alerta, maѕ fica ߋ registro,
fica а dica . Parabéns ⲣelo artigo
Citar
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Painel de entrevistas

jose_rubens_peq
José Rubens
Thumb_lily
Lily Curcio
thumb_chacovachi
Payaso Chacovachi
Argentina
thumb_muralla
Teatro la Muralla
Equador
thumb_museo
Teatromuseo
Chile





Erminia em entrevista no Jô

(+) entrevista na íntegra

Parceiros

As Marias da Graça (Rio de Janeiro - RJ)
Centro de Memória do Circo (São Paulo - SP)
El Circense (Buenos Aires - Argentina)
Encontro de Bastidor (Brasília - DF)
Escola Nacional de Circo (Rio de Janeiro - RJ)
Instituto de Ecocidadania Juriti (Juazeiro do Norte - CE)
Intrépida Trupe (Rio de Janeiro - RJ)
Panis & Circus (São Paulo - SP)
Teatro de Anônimo (Rio de Janeiro - RJ)